Recolha, Selecção e Dramaturgia - Carlos Paulo.
Música Hugo Franco.
Com Carlos Paulo, Jorge Andrade e Tania Alves.
Camilo Pessanha em Janeiro todas as quintas às 19h00
Camilo de Almeida Pessanha nasce em Coimbra, na freguesia da Sé Nova, cerca das 23:00 horas do dia 7 de Setembro de 1867, filho de Maria do Espírito Santo Duarte Nunes Pereira e de Francisco António de Almeida Pessanha (então estudante do 3 o ano de Direito).
O jovem Pessanha vive em várias partes do país, alguns anos nos Açores, acompanhando as colocações ou transferências do pai, juiz, de quem viria a seguir as passadas: em 1878, ainda em Lamego, completa a instrução primária; em 1884, já na cidade do Mondego, termina o curso liceal no Liceu Central e ingressa então no Curso de Direito da Universidade de Coimbra.
Ao longo do seu período académico, publica poemas (o primeiro, “Lúbrica”, datado de 1885) e outros escritos em revistas e jornais, como “A Crítica” (Coimbra) ou o “Novo Tempo”, periódico de Mangualde dirigido por Alberto Osório de Castro, colega de curso e grande amigo, irmão da também grande amiga de Pessanha, Ana de Castro Osório . Durante estes anos, leva uma vida boémia que em muito terá contribuído para a sua debilidade física, tentando restabelecer energias nas férias, na Quinta de Marmelos, em Mirandela.
Camilo Pessanha reprova no 4o ano (1887/88), na mesma altura em que faz a acesa crítica ao “romanticismo decadente, pretensioso, mascarado derecebe a 29 de Julho de 1890 o grau de bacharel. Em Fevereiro do ano seguinte, surgem as revistas rivais coimbrãs “Boémia Nova” e “Os Insubmissos”, divulgando em Portugal as correntes literárias Decadentismo e Simbolismo, cujas ideias o autor acolhe, agregando-se, apesar de casualmente, ao grupo dos Nefelibatas, constituído no Porto por elementos das duas revistas.
Em 1891, termina o curso de Direito e em Outubro do ano seguinte ingressa na magistratura, ocupando o lugar de procurador régio de Mirandela. Dois anos mais tarde, parte como advogado para Óbidos, com o juiz Alberto de Castro Osório. Talvez para “poder ajudar o seu irmão Francisco a formar-se” ou talvez devido a “uma tremenda decepção que a vida profissional inflingiu ao jovem subdelegado” , Camilo Pessanha apresenta-se a um concurso para professores no recentemente criado Liceu de Macau (Diário do Governo , 19/08/1893) e é nomeado em 18/12/1893 professor de Filosofia; entre outros nomeados encontramos Horácio Poiares, Mateus de Lima, João Pereira Vasco e, pouco antes, Wenceslau José de Sousa Morais. A 17 de Março de 1894 parte para Macau no barco a vapor espanhol, Santo Domingo.
Partiu para Macau e aí exerceu funções judiciais. O contacto com a cultura chinesa levou-o a escrever vários estudos e a fazer traduções de vários poetas chineses. Foram, todavia, os seus poemas simbolistas que largamente influenciaram a geração de Orpheu , desde Mário de Sá-Carneiro até Fernando Pessoa. Os seus poemas foram reunidos na colectânea Clepsidra , publicada em 1922, tendo sido Fernando Pessoa o principal mentor da edição. Camilo Pessanha morreu em Macau vítima do ópio.
A PALAVRA DOS POETAS
10º ANIVERSÁRIO – DEZ ANOS DE POESIA PORTUGUESA
A Comuna-Teatro de Pesquisa iniciou em 1998 uma série de espectáculos de divulgação da Poesia Portuguesa com a apresentação de sessões regulares às quintas-feiras no espaço do Café-Teatro às 19 horas com entrada livre. O êxito desta iniciativa foi imediato tendo a partir daí a Comuna recebido inúmeros convites para apresentar estas sessões em várias localidades do país – em bibliotecas, escolas, universidades, além de sessões especiais no Bogani Café em Gaia – durante 3 meses – na Expo-98 em Lisboa, no Theatre Poème em Bruxelas, nas Jornadas de Dor do Hospital Garcia da Horta, ou em sessões especiais da Câmara Municipal de Lisboa, e ainda integrado nas visitas oficiais do Senhor Presidente da República Dr.Jorge Sampaio a França e à Bélgica.
A Palavra dos Poetas é um espectáculo com som, luz e montagem simples, acompanhado ao vivo por um músico que utiliza vários instrumentos, com a duração aproximada de 60 minutos, e que foca a vida e a obra de cada poeta, fazendo uma leitura da sua obra com o percurso da vida do autor, permitindo ao público uma leitura mais profunda e contextualizada da obra apresentada.
A recolha, selecção e dramaturgia dos textos está a cargo de Carlos Paulo, que também dirige estes espectáculos e que conta com a colaboração dos actores da Comuna e outros actores convidados e ainda com a colaboração regular do músico Hugo Franco.
Durante estes 10 anos A Palavra dos Poetas apresentou espectáculos sobre a obra de:
Alberto Caeiro
Almada Negreiros
Alvaro de Campos
Antero de Quental
António Aleixo
António Botto
António Gedeão
António Nobre
António Ramos Rosa
Ary dos Santos
Carlos Wallenstein
Cesário Verde
David Mourão Ferreira
Eugénio de Andrade
Fernando Pessoa
Gomes Leal
Herberto Hélder
Jorge de Sena
José Gomes Ferreira
Luiza Neto Jorge
Manuel Alegre
Mário Cesariny de Vasconcelos
Mário de Sá Carneiro
Miguel Torga
Natália Correia
Pedro Homem de Melo
Ricardo Reis/Bernardo Soares
Ruy Belo
Sophia de Melo Breyner
Teixeira de Pascoaes
Vitorino Nemésio
Foram ainda apresentadas sessões especiais temáticas como:
Poetas de Expressão Portuguesa –
ANGOLA
Manuel Ruy Monteiro
Agostinho Neto – No Centro Cultural de Belém e Teatro da Comuna
BRASIL
Manuel Bandeira
Carlos Drumond de Andrade
Cecília Meireles – na EXPO-98 e Universidade Nova Lx.
A POESIA ESTÁ NA RUA – A Poesia Portuguesa e o 25 de Abril
No Theatre Poème em Bruxelas – Bélgica e no Teatro da Comuna
A DOR, OS POETAS E OUTRAS LINGUAGENS – nas Jornadas sobre a Dor no Hospital Garcia da Horta – Almada
JOSÉ LUIS GORDO – Os Poetas do Fado – na Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa – Lisboa
A POESIA DE LISBOA – Sessão especial da Câmara Municipal de Lisboa
A POESIA SATÍRICA PORTUGUESA – No 1º Festival Internacional de Humor de Lisboa – 2002 – Teatro Tivoli
A POESIA DE ANTÓNIO ALEIXO – no Colóquio sobre a obra do poeta organizado pela Fundação António Aleixo – Loulé
O VINHO NA POESIA – no Grémio Literário em Lisboa
HOMENAGEM A JOÃO VILLARET – no Theatre Poème em Bruxelas – Bélgica e ainda em várias localidades em Portugal.
FEDERICO GARCIA LORCA – Homenagem do centenário de Lorca no Parque Expo – Teatro Camões – Lisboa
PABLO NERUDA – Homenagem da Associação Cultural dos estudantes da Universidade de Coimbra - Teatro Académico Gil Vicente - Coimbra
Neste momento qualquer destes espectáculos: 32 poetas portugueses, e ainda as sessões temáticas, podem ser apresentados pela Comuna em qualquer local onde a sua presença seja desejada.
Para dar continuidade a esta iniciativa e celebrar o 10º Aniversário do seu início o Teatro da Comuna apresentará até final do ano os seguintes espectáculos:
Outubro – GUERRA JUNQUEIRO
Novembro – RAUL DE CARVALHO
Dezembro – CAMILO PESSANHA
Todas as Quintas-Feiras- às 19 horas – no Café Teatro da Comuna –
Entrada Livre
Pedimos a melhor divulgação que possam dar a esta iniciativa estando ao vosso dispor para mais informações. |